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"UM HOMEM TINHA DOIS FILHOS..."

Ir. Marina Santos, aci
 
Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».
[Lc 15, 1-3.11-32]

Jesus tinha por hábito usar histórias muito pedagógicas - parábolas - para ajudar as pessoas a pensar, para as fazer conhecer melhor quem era Deus Pai e também para que percebessem qual o seu caminho de conversão, por onde tinham que crescer.

Neste dia, percebendo que os fariseus e os escribas murmuravam e criticavam-n’O pela Sua proximidade com os publicanos e pecadores, contou-lhes uma história nova: “um homem tinha dois filhos…” Contou-lhes a parábola dos dois irmãos, para dar a conhecer a Deus como Pai de Misericórdia, que a todos quer receber na Sua casa, que quer “acolher os pecadores e comer com eles”.

Esta história, por mais conhecida que seja, revela sempre pormenores novos.

Reparo em cada pormenor com atenção e pergunto-me o que tem que ver comigo?

É que esta parábola de Jesus foi contada também para mim…


• Reparo no filho mais novo, na vontade que tem de ser autónomo e livre, nem que para isso tenha que ir para longe do Pai, para um país distante. Naquele momento a liberdade é o seu único absoluto.

• Percebo como o Pai o deixa livre, como lhe entrega tudo o que ele pede, como divide a herança.


• Vejo a vida que o filho mais novo leva, de suposta liberdade… Como se enganou, como esbanjou tudo o que tinha e tudo o que era…


• Reparo como foi importante para o filho mais novo “cair em si”, entrar dentro de si, aperceber-se de como estava, reconhecer que tinha para onde voltar


• Saboreio o regresso: o Pai que o viu quando ele ainda estava longe, o abraço, a festa.


• Surpreendo-me com o outro irmão, que tudo tinha mas vivia insatisfeito, agarrado ao “dever ser”, pouco generoso


Entro na história, que é a minha e oiço como Jesus me diz: um homem tinha dois filhos…