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    © Mário Linhares
SIMÃO, “VÊS ESTA MULHER?”: VER COMO JESUS
Ir. Marta Heleno, aci
Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer consigo. Jesus entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa.

Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por trás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume.

Vendo isto, o fariseu que o convidara disse para consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!»

Então, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer.» «Fala, Mestre» respondeu ele.

«Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?»

Simão respondeu: «Aquele a quem perdoou mais, creio eu.» Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.»

E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste um ósculo; mas ela, desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.» Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.» Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?» E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.» [Lc7,36-50]
  • Hoje, convido Jesus para a minha mesa. Disponho-me a estar com Ele, pedindo a graça de aprender do Seu Coração manso e humilde.
1. A refeição em casa de Simão é interrompida pela entrada impetuosa e inesperada de uma mulher – sem nome, sem identidade. É um elemento estranho, que parece vir perturbar a paz dos comensais.

No entanto, os seus gestos – silenciosos, mas desmedidos – levam-nos diretamente ao Senhor Jesus.
  • Como reajo aos imprevistos da vida? Há nela lugar para o inesperado? Para o impetuoso? Para o excesso e a desmesura do Amor? Acolho tudo isto como uma oportunidade para me voltar para Deus?
2. Jesus deixa-Se surpreender e tocar, no mais profundo de Si mesmo, por esta mulher. Por isso, convida Simão – e os restantes comensais – a uma mudança de olhar. A pergunta “vês esta mulher?” (v.44) encerra o desafio de um olhar novo, limpo, sobre a realidade dela:
  • Ao fariseu preocupa-lhe “de que espécie” é a mulher (v.39). Põe a força no seu passado – é uma pecadora (v.39) –, e rege-se pelo que os outros pensam e dizem dela (é uma pecadora conhecida na cidade [v.37]). Em vez de prestar atenção aos seus gestos, murmurava acerca de quem era Jesus.
  • Jesus, pelo contrário, centra o olhar nesta mulher concreta (v.44), que interage com Ele. Deixa-Se tocar por ela e acolhe a novidade e a profundidade dos seus gestos e do seu silêncio. Não olha para o seu passado, mas para os gestos do presente que são expressão do seu amor e da sua fé. Fixa-se no presente e devolve-lhe o futuro: “A tua fé te salvou. Vai em paz”.
  • E eu? Como olho para a realidade à minha volta, para as pessoas, para mim próprio? O que vejo? Sinto o convite a purificar o meu olhar? Sobre quê? Sobre quem? 
Falo com Jesus, “como um amigo fala a outro amigo”. Peço-Lhe que me contagie com o Seu modo de olhar e entrego-Lhe todas as pessoas e situações para as que me custa olhar.

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