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SANTIFICAR A FESTA: A FAMÍLIA NO DIA DO SENHOR
Excertos da Comunicação
VII Encontro Mundial de Famílias, Milão, 2012

Cardeal Sean O’Malley
Milão 2012

(…) Desde jovem padre que sempre enfatizei a importância de comer com a família. Olho para trás, para a minha infância, e lembro-me de como nos encontrávamos, todas as noites, nós crianças, os meus pais, a minha avó que morava connosco, para o jantar. Era um momento de dar e receber. Falávamos de coisas tristes e alegres, acontecidas durante o dia, partilhávamos ideias e aspirações, mas sobretudo partilhávamos uns com os outros. A oração fazia sempre parte da equação, dar graças antes de comer e muitas vezes o terço depois do jantar. Como criança, havia muitos lugares onde eu preferiria estar. A jogar ao ar livre, a visitar um amigo, ou outra coisa qualquer. Como se costuma dizer, o livro mais curto é o livro de receitas irlandesas, ferve-se tudo e servem-se as batatas como acompanhamento. No entanto, olhando para trás, vejo que aqueles jantares com o clã O'Malley foi onde nós aprendemos a nossa identidade e forjámos laços para toda a vida. Ali partilhámos as nossas histórias e as nossas histórias pessoais eram tecidas dentro da história que nós partilhávamos juntos.

Pela mesma razão, a nossa celebração da Eucaristia, o sacrifício da Missa é para nós, católicos, uma refeição familiar. É ali que nós fazemos experiência do amor de Deus, que aprendemos a nossa identidade, quem somos, porque estamos no mundo, o que fazer com as nossas vidas... Não ir à missa é como parar de respirar, respirar a vida do Corpo de Cristo. No Evangelho, Jesus conta a parábola do homem que manda os seus servos chamar os convidados para o banquete de casamento. Não é uma tarefa fácil, alguns deles são espancados violentamente. Às vezes, temos de vencer a nossa vaidade e o respeito humano e encontrar a coragem para dizer a um amigo ou conhecido: "Queres vir comigo à igreja no domingo?". Acreditemos ou não, há muitas pessoas que esperam só um convite e não nos vão bater na cabeça com um instrumento contundente, se os convidarmos.

(…) Recordemos a Jornada da Juventude, em Colónia, onde o Papa Bento XVI se dirigiu aos bispos alemães reunidos no seminário, falando da sua terra natal, a Alemanha, como “terra de missão". A mesma coisa acontece igualmente em muitos países ocidentais, onde o secularismo e a descristianização estão a ganhar terreno. (…)

Ser um fiel discípulo de Jesus Cristo na Igreja católica é muito mais que uma viagem imaginária. É um modo de viver juntos; a pessoa inteira é envolvida no processo. A educação para este caminho deve ser portanto experiencial, pessoal, envolvente e vivificante. Aprendemos a ser discípulos como aprendemos uma língua, isto é "fazendo parte de uma comunidade” que fala essa língua. (…)

Enquanto caminhava na sinagoga deparei com um livro de orações que casualmente se abriu numa antiga e bonita oração hebraica que começa com as palavras: “Mais do que Israel ter conservado o Sábado, o Sábado conservou Israel." Fiquei estupefato e pensei que a mesma coisa é verdade para nós da Nova Aliança. Mais do que nós termos mantido a obrigação da missa dominical, ela manteve-nos a nós como um povo focado em Deus, unido aos outros, com um sentido de missão. (…)

Perguntaram a Emérito, que tinha confessado que os cristãos se tinham reunido em sua casa, porque é que tinha violado as ordens do imperador. Ele respondeu: "Sine Dominico non possumus". Por outras palavras, "Nós não podemos viver sem o domingo". Perder a missa é como deixar de respirar, é a estrada segura para a asfixia espiritual. (…)

Sem a força que vem da Palavra de Deus proclamada durante a missa, e a comunidade decorrente da Eucaristia e do testemunho dos nossos irmãos e irmãs, é difícil imaginar como se pode perseverar numa vida de discípulo. A metáfora da videira e dos ramos é muito adequada. Um ramo cortado da videira não sobrevive por muito tempo. (…)

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