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SANTA MÓNICA

Dirce Serafim


Introdução

O nome de Santa Mónica é sempre associado ao de seu filho, Santo Agostinho. Mesmo as suas relíquias são veneradas na Igreja de Santo Agostinho, em Roma. Agostinho é quem nos torna conhecida a história de sua mãe. Ele deixou escrito que ela fora “semeadora de paz entre familiares e vizinhas, paciente, fiel ao marido, mãe corporal e espiritual de seus filhos, mulher de têmpera, caritativa com os necessitados, piedosa e constante na oração (…) e escreveu ainda que “devia a sua mãe tudo o que era”. Talvez por isso, das várias dimensões da vida de Santa Mónica é o seu papel de mãe que festa sobressai e perdura no tempo.

Em 1153, o papa Alexandre III concede-lhe o título de padroeira das mães cristãs. A partir do século XV, com a trasladação das relíquias de Santa Mónica da igreja de Santa Áurea, em Ostia, para Roma, aumenta a devoção pela Santa. No final do século XVI, o papa Clemente VIII inclui a festa de Santa Mónica no calendário universal da Igreja. A sua litúrgica celebra-se no dia 27 de agosto.

História de Vida

Quem foi Mónica

Mónica nasceu em Tagaste, atual cidade de Souk Arhas, na Argélia, no norte de África, em 331. Nessa data, a cidade fazia parte da província romana da Numídia. O cristianismo florescia em território pagão, mas surgiam heresias (donatismo, arianismo) e seitas (maniqueísmo). Reinava o imperador Constantino. A Igreja saía das catacumbas.

Nasceu no seio de uma família cristã, uma família nobre mas sem fortuna, com muitos serviçais, uma das quais se ocupava da educação das crianças. Já fora a ama do pai e foi também a ama de Mónica que muito influenciou o seu amor pelo cristianismo.

Desde muito cedo, Mónica mostrou um enorme gosto pela oração. Por vezes interrompia as brincadeiras para recitar as orações aprendidas da mãe ou da sua velha ama ou para seguir atenta a conversação das pessoas adultas. Também desde criança mostrou uma atenção particular aos pobres e doentes, lavando os pés aos mendigos que eram acolhidos em casa dos pais. Educada na sobriedade, penitência e piedade, Mónica demonstrou mais tarde uma rara firmeza associada a uma enorme doçura e paz. Tinha um caráter enérgico e resoluto, uma enorme curiosidade temperada pela ternura, paciência e modéstia.

Pelos dezoito anos casou com Patrício, de família nobre e antiga, mas pagã. Vinte anos mais velho, Patrício não era propriamente um modelo de virtudes. Colérico e leviano, tinha no entanto um grande coração. Mónica conhecia as fraquezas e infidelidades do marido, que a faziam sofrer em silêncio, mas decidiu ter com ele uma atitude dócil, discreta, paciente e dedicada, convicta que o testemunho é mais eloquente que as palavras e as censuras. O filho Agostinho dirá mais tarde que as virtudes da mãe acabaram por conquistar o respeito e a admiração do marido.

Quando tinha 22 anos nasceu o primeiro de três filhos: Agostinho, Navígio e Perpétua. Ainda que não se disponha de muitos dados quanto aos dois mais novos, a tradição diz que ambos foram santos, tendo Navígio acompanhado sempre a sua mãe, e depois casado e sido pai de um filho que foi subdiácono de Hipona, na igreja de seu tio, e duas filhas que foram muito cedo para um convento. Perpétua ficou viúva muito cedo e acabou sendo a superiora de um mosteiro fundado pelo sobrinho. Agostinho viria a ser o grande doutor da Igreja e é quem nos revela o extraordinário papel da mãe na sua conversão. É, por isso, necessário acompanhar a sua presença junto de Agostinho, para compreendermos a heroicidade das suas virtudes que a tornam modelo de santidade.

Sabemos por Agostinho que ele foi inscrito no número dos catecúmenos assim que nasceu, por desejo de sua mãe. Mesmo no meio dos erros e paixões desordenadas da sua juventude, Agostinho manteve gravados no coração os ensinamentos da mãe sobre Jesus, sobre o amor infinito de Deus. Na verdade, pelos 7 anos, foi o próprio Agostinho que pediu para ser batizado ao sentir-se doente, mas o sacramento acabaria por ser adiado para mais tarde. Mónica cedeu perante a indiferença da família e aplicou-se ainda mais em exercitar o seu método de doçura e paciência. Foi assim que acabou conquistando a sogra altiva e autoritária. Os seus conselhos pacificadores eram também apreciados pelas vizinhas.

Chegada a altura de Agostinho ir para a escola, cresceu em Mónica a inquietação com a educação do filho, pois ele revelou-se desinteressado, preguiçoso e astucioso para encontrar desculpas para não estudar. A mãe procurou encontrar uma escola religiosa que incutisse no filho melhores hábitos. Pelos 13 anos de Agostinho, o pai decidiu que o filho deveria ir para a cidade vizinha—Madauro—prosseguir a sua formação. Foi ali que desabrochou o seu talento para as letras. As obras de Virgílio despertaram a sua delicada sensibilidade. Colegas e professores aclamavam o génio de Agostinho quando falava ou escrevia sobre Virgílio, Homero, Cícero e Ovídio. A sua eloquência ganhava fama e o pai decidiu que ele seguiria para Cartago, mas como eram necessárias economias, ficou um ano em Tagaste. A ociosidade acicatava o seu gosto pelo prazer. Aos dezasseis anos, o sentimento de culpabilidade por uma vida dissoluta levava Agostinho a escrever: “Dai-me a castidade e a continência, meu Deus … mas não já!”

Entretanto, um feliz acontecimento veio em socorro de Mónica: o marido decidiu abjurar o paganismo e fazer profissão da fé cristã. Seriam ainda necessárias muitas orações e muitas lágrimas da esposa até se decidir pelo batismo, mas estava dado o primeiro passo.

Agostinho continuava a busca de prazeres, do jogo, de más companhias, da dependência do sexo, e começava a evitar o olhar inquieto da mãe.

Chegou o momento de ir para Cartago, onde Agostinho, pobre e desconhecido, mas elegante, agradável e distinto, depressa se juntou aos jovens mais fogosos. Embora tímido e reservado, no seu íntimo ansiava por prestígio e fama. O seu talento para a retórica, filosofia, poesia e arte rapidamente o tornou conhecido, o que aumentou a sua vaidade. Apaixonou-se por uma jovem com quem viveu quinze anos e de quem teve um filho a quem deu o nome de Adeodato (dado por Deus). Esta foi uma notícia que muito desgostou Mónica. Suas lágrimas e orações pela conversão de seu filho são ainda hoje lembradas numa celebração, a 4 de maio, como as lágrimas de uma mãe cristã que haveriam de dar fruto. Patrício começava a associar-se às lágrimas da esposa, reconhecendo a beleza da pureza e da doçura. Em 371, sentindo que o seu fim se aproximava, Patrício pediu finalmente o batismo. Ao lado das dores de Mónica, vai também havendo alguma consolação ajudando a crescer no seu coração a gratidão e a alegria. Após dezassete anos de casamento, Mónica fica viúva. Assumiu com mais fervor a tarefa de servir pobres e doentes, acompanhando-os até ao momento da sua sepultura, recolhia crianças órfãs, consolava viúvas e mulheres casadas, era muito devota aos santos, especialmente aos mártires, e levava uma vida de intensa piedade.

Mónica seguia com preocupação a vida de excessos de Agostinho, e o risco de ele renegar a fé cristã. Confiava que os estudos o reconduziriam a Deus e por isso aceitou a oferta de Romaniano, um rico cidadão de Tagaste, para ajudá-la no pagamento dos estudos do filho. Reconhecendo-lhe o génio, pôs à sua disposição uma casa em Tagaste. Com efeito, Agostinho mergulhou num estudo apaixonado da sabedoria antiga: Sócrates, Platão, Cícero. A sua sede de sabedoria levou-o às Escrituras, mas depressa as abandonou por considerar a linguagem demasiado simples.

Em 374, Agostinho deixa-se seduzir pela doutrina do dualismo maniqueísta. Mónica, perante isso, expulsou o filho de casa. Agostinho ficou a morar numa casa do amigo Romaniano. A morte de um grande amigo que nos últimos momentos se batiza impressiona de tal modo Agostinho que decide regressar a Cartago e começa a escrever sobre a Beleza, mas também sobre a Física, a Matemática, a Astronomia. Foi este seu entusiasmo pelo estudo e pela busca da Verdade que o levou a duvidar das doutrinas de Manés, o autor do maniqueísmo. Decidiu ir para Roma. A mãe inquietou-se, pois Roma era para ela o lugar do paganismo perseguidor dos cristãos. Tomou a decisão de acompanhar o filho, mas ele partiu sem ela. De Roma seguiu para Milão onde começou a ensinar. O prefeito da cidade, Ambrósio, tinha sido nomeado bispo de modo um tanto inesperado. Agostinho foi visitá-lo e, sentindo-se tocado pelo seu acolhimento, quis ouvi-lo na Igreja onde todos os domingos o povo acorria para ouvir a explicação da Escritura. As hesitações quanto ao maniqueísmo cederam perante a simplicidade luminosa das palavras do bispo, mas Agostinho continuava persuadido que a verdade não estava na Igreja. Duvidando de tudo, decidiu empenhar-se no estilo, na forma, na arte do discurso. É nessa crise que Mónica o vai encontrar, pois a sua inquietação de mãe não a deixava em paz e foi até Milão. Decidiu ir procurar o bispo e confiar-lhe a preocupação com a conversão do filho. Agostinho sentia verdadeira admiração pela grandeza moral de Ambrósio que despertava a veneração do povo. Ao escutá-lo, percebia que, afinal, as acusações que antes ele dirigia à Igreja católica não eram merecidas, espantando-se de que a doutrina que ouvia não correspondia ao que imaginara e atacara. Maior surpresa foi constatar o respeito de tantos católicos mediante o que transcendia a razão, admitindo limites na inteligência. Começou a ler a Sagrada Escritura e maravilhou-se com os textos a um tempo simples e inesgotáveis, capazes por isso de alimentar “os sábios e o povo, as águias e as pombas.”

As informações sobre a ligação de Agostinho à mãe de seu filho são escassas, pelo que nos resulta estranho o desejo de Mónica em afastar dela o filho, influenciando-o no sentido de casar com uma jovem cristã. Pode-se pensar que talvez existissem obstáculos próprios da cultura ou das leis do tempo. A verdade é que, por essa época, a separação se efetuou, terminando ela por ir para um mosteiro e ficando o filho à guarda do pai.

Agostinho prosseguia o estudo da filosofia e da Bíblia. A leitura de Platão deslumbrou-o e fê-lo entrever a luz de um Deus eterno e infinito. As epístolas de S. Paulo iluminaram-no quanto à fragilidade do homem e a consequente necessidade de salvação, de redenção. Todo o mistério da Encarnação e da Redenção em favor do Homem o fez ajoelhar comovido. Dizia ele, com espanto “que diferença entre os livros dos filósofos e os dos enviados de Deus! O que se acha bom naqueles, acha-se nestes, e acha-se ainda mais o conhecimento da vossa graça, ó meu Deus (…). Ali não se aprende nem o segredo da piedade cristã, nem as lágrimas da confissão, nem o sacrifício de um coração contrito e humilhado (…). Ali não ressoa esse doce chamamento: Vinde a mim, vós que estais carregados e eu vos aliviarei.” Agostinho resistia ainda a uma completa conversão. Escreveu: “Eu tinha achado uma pérola, mas quando foi preciso vender os meus bens para comprá-la, faltou-me coragem para isso.” Eram as exigências da virtude que o assustavam. Serão os relatos de casos concretos de jovens mulheres e homens que abandonavam tudo para se dedicar a uma vida de oração, austera, casta, e que encontravam assim uma felicidade mais plena, que conduziram Agostinho a interrogar-se: “Será vergonha segui-los? Não será antes uma vergonha não ter a coragem de imitá-los?” Então, indo ao encontro de sua mãe, rendeu-se. Era o mês de Agosto do ano 386. Seria preciso esperar pelo início das férias para mudar o estilo de vida. Aceitando a oferta de uma casa de campo de um amigo, em Cassiaco, Mónica foi com os seus dois filhos, Agostinho e Navigio, e o neto de quinze anos. Juntaram-se a eles alguns amigos muito próximos que também desejavam preparar-se para o batismo.

Mónica era o “apóstolo deste pequeno cenáculo”. Tivera o cuidado de pedir os conselhos de Ambrósio antes de deixar Milão. Ele recomendara um ambiente de solidão, oração e meditação das Escrituras, dando particular atenção ao profeta Isaías. Cedo Agostinho percebeu que Isaías lhe exigia estudo e, por isso, optou pelos Salmos de David. Mónica, mais experiente como orante, ajudava o pequeno grupo na leitura meditada dos Salmos. O filho pedia-lhe que assistisse também aos debates filosóficos, pois reconhecia nela um espírito penetrante. Após seis meses de vida consagrada ao estudo, à oração e à meditação das Escrituras, decidiram abandonar Cassiaco, pois a quaresma aproximava-se e era necessário darem os seus nomes na quarta-feira de cinzas e participar da preparação dos catecúmenos para serem batizados na noite do sábado que precede a Páscoa.

Chegou por fim o dia 24 de abril de 387, o dia em que, seguindo o ritual do tempo, Agostinho mergulhou três vezes na fonte batismal e declarou: Eu creio em Deus (primeira vez). Creio em Jesus Cristo (segunda vez). Creio no Espírito Santo (terceira vez). Depois, o bispo disse derramando água na sua cabeça: “Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Em seguida vestiu a túnica branca que havia sido tecida por sua mãe. Mónica, sob o véu de viúva, chorava de alegria. A tradição diz que Ambrósio e Agostinho improvisaram nesse momento o cântico do Te Deum que na liturgia se designa por Hino de Santo Ambrósio e de Santo Agostinho.

Uma paz imensa enchia o coração de Mónica. Jovem, tinha começado a amar Deus com o amor franco e delicado. Mulher, oprimida e traída, tinha chorado e compreendido que Deus é o único amigo fiel que nunca abandona. Jovem mãe, inquieta pela salvação de Agostinho, colocara em Deus a sua esperança. Durante trinta anos lançara lágrimas amargas e súplicas ao Senhor. Agora, mãe feliz, derramava lágrimas de ternura e gratidão por ver que o seu amor por Jesus Cristo era partilhado por seu filho. Algumas vezes, inebriada de felicidade, ficava absorta, em êxtase.

Agostinho, depois do batismo, decidiu regressar a África com o seu grupo mais íntimo para viverem em comunidade. Pedem a bênção a Ambrósio e partem em final de outubro.

Chegados a Ostia, mãe e filho encontravam-se sentados, descansando, olhando felizes para a paisagem. Mónica disse num tom grave e terno: “Deus realizou todas as minhas esperanças. Havia uma só coisa para a qual eu desejava viver: era ver-te cristão e católico antes da minha morte. Deus fez ainda muito mais, porque te vejo desprezar toda a felicidade terrestre para servi-lo. Que faço eu aqui?”

Quando Alípio e outros amigos lhe perguntaram se não receava morrer longe do seu país, ela respondeu. “Oh, não! Nunca se está longe de Deus!” Desprendida de tudo, esperava serenamente o momento de partir. Um acesso súbito de febre obrigou-a a ficar na cama. E nove dias depois, Mónica expirou. Tinha 56 anos de idade.

Espiritualidade

Entre as várias expressões de Mónica, registadas por Agostinho, está a afirmação. “Todas as coisas da terra jamais farão uma alma feliz”. São ainda de Mónica as seguintes palavras: “Aquele que vive bem tem Deus em si, mas Deus amigo; (…) o que procura Deus e ainda o não achou, Deus não lhe está longe”. A admiração pelo contributo da sua mãe nos sucessivos debates, levaria o filho a comentar com os amigos: “Vós vedes que diferença há entre o ter estudado muitos livros e o estar sempre unido a Deus. Pois não é nessa união íntima que a alma acha aquelas belas ideias que acabamos de admirar em minha mãe?”

No século XV, o papa Martinho V deu autorização para procurar as relíquias de Mónica para as trazer a Roma. Depois de doze séculos de silêncio, apareceram à luz os restos de Santa Mónica, no santuário de Santa Áurea em Ostia. Ao entrarem em Roma, uma multidão de camponeses e negociantes que acorriam à feira habitual em dia de Ramos, correu ao ouvir que o pequeno cortejo acompanhava o corpo da mãe de Santo Agostinho. Uma mãe aproxima-se com um filho doente que fica curado. Outros milagres em auxílio de mães aflitas pela doença e particularmente pela cegueira de seus filhos aumentam o entusiasmo e a comoção do povo. Mais tarde, Eugénio IV instituiu uma confraria de mães, a pedido destas, sob a proteção de Santa Mónica. Começava a ser venerada não só como mãe do grande doutor, mas como mãe do jovem que precisou do auxílio materno para chegar à verdadeira luz.

No século XVI, quando a Igreja era abalada pelos ventos da Reforma, a devoção a Santa Mónica aumentou. A sua festa, até aí só celebrada em Roma e nas igrejas da ordem de Santo Agostinho, começou a ser celebrada por toda a parte. São Francisco de Sales, no seu livro Introdução à Vida Devota, fez numerosas referências a Santa Mónica como esposa e mãe. E quando Joana de Chantal, já viúva, manifestou o desejo de ir para a vida religiosa, São Francisco de Sales, seu guia espiritual, recomendou-lhe que não se precipitasse e tomasse como mestra Santa Mónica. Um dia, por inspiração do santo, muito preocupada com os desvarios de um dos seus filhos, Joana de Chantal leu o capítulo VIII das Confissões de Santo Agostinho, e percebeu o valor das lágrimas de uma mãe. Até à hora da morte, decidiu seguir como modelo a vida de Santa Mónica.

Em 1850, um pequeno grupo de mães decidiu reunir-se todos os meses na capela de Nossa Senhora de Sião, em Paris, para recitar uma pequena oração por seus filhos. Passados seis anos, perante o crescimento desta associação, o papa Pio IX evocava-lhes o modelo de Santa Mónica como intercessora junto dos filhos afastados de Deus. Desde então, a confraria das mães cristãs não esquece o papel de intercessão de todas as mães que desejam ser verdadeiras mediadoras de seus filhos afastados da Igreja, mas que têm um coração ardente, um coração que só em Deus descansa, como o filho mais celebrado de Santa Mónica.

Em Santa Mónica brilham com fulgor especial numerosas virtudes. Podemos aprender dela a apreciar a mansidão, a paciência, a fortaleza, que refletiam a sua fé, esperança e caridade. No entanto, o que verdadeiramente nos interpela é a sua convicção inabalável quanto à importância do seu papel de evangelizadora no seio da família: testemunhando, ensinando, proclamando, mas sobretudo consumindo toda a sua energia, oferecendo toda a sua vida em favor da conversão do marido e dos filhos, da caminhada deles no sentido da vida que ela acreditava ser fonte de verdadeira felicidade. Na vida de Santa Mónica, é possível assistir a uma antecipada ilustração das palavras do concílio Vaticano II, no Decreto sobre o Apostolado dos Leigos: “Inseridos pelo Batismo no Corpo místico de Cristo, e robustecidos pela Confirmação com a força do Espírito Santo, é pelo Senhor mesmo que (os leigos) são destinados ao apostolado. São consagrados em ordem ao sacerdócio real e um povo santo para que todas as suas atividades sejam oblações espirituais e por toda a terra deem testemunho de Cristo.”

Com ela aprendemos a importância da intercessão, o valor do exercício sacerdotal laical que, enraizado em Cristo, não deixará de fermentar a massa destinada a crescer e a ser pão para todos.

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