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QUEM É O MEU PRÓXIMO? (1/4)
Comunicação apresentada na assembleia anual da Província Portuguesa da Companhia de Jesus, em Soutelo, 29-31 de Agosto de 2005

CORREIA, José Frazão, Quem é o meu próximo?

in «Brotéria», Braga: dezembro 2005, 431-441

«Onde estás?»; «Onde está o teu irmão?»: perguntas que vêm desde o princípio

A proximidade, a distância, os percursos lentos e sofridos de reaproximação fazem parte das paisagens do humano, desde as suas origens. Há na relação com o próximo e no exercício efetivo da proximidade algo de originário e, por isso, também de definitivo em relação ao que a nós, humanos, diz respeito.

«Onde estás?» (Génesis 3, 9). Na Bíblia, é a segunda pergunta e pertence a Deus. A primeiríssima é apanágio da serpente: «É verdade que Deus disse que não devíeis comer de nenhuma árvore do jardim?» (Génesis 3, 1).

Entre as duas perguntas, como um rasgão em tecido novo, abre-se a ferida da distância, exposta à nudez e ao medo.

E que diz Deus?

Surpreendentemente, na densidade dramática do momento, Deus faz. Aproxima-se, como um alfaiate (Génesis 3, 21). Deus cose vestidos para Adão e para Eva. Não, não são as patéticas parras colhidas à pressa na videira mais próxima e que nada cobrem. São vestidos. Vestidos que vestem a nudez, tecidos por Deus, à mão, sinal da proximidade a refazer. Neste trabalho de costura, Deus empenha-se pessoalmente. E, quando chegar a hora, será o Pai a tecer, novamente, mas agora para o próprio Filho, o vestido da nossa própria carne e da nossa história. E nesse vestido faz suas, para sempre, as feridas abertas nos nossos afetos e laços.

Mas, ainda no Génesis, um passo à frente, outra pergunta questiona diretamente pelo próximo. Agora, é Caim o interpelado: «Onde está o teu irmão Abel?» (Génesis 4, 9). «Que fizeste?» (Génesis 4, 10). E, também aqui, a Caim, manchado pelo sangue do irmão, Deus marca com o sinal da proteção. Um outro vestido. Para que Caim não fique irremediavelmente entregue à sua nudez.

Ora, após tantos e tantos outros lugares visitados pelas páginas sagradas, onde homens e mulheres se despem com violência e se revestem com ternura, cabe ao doutor da lei perguntar a Jesus: «Quem é o meu próximo?» (Lucas 10, 29).