Testemunho de Henrique Leitão sobre o 2º Encontro Nacional de Leigos



Henrique Leitão, Prémio Pessoa 2014, considera que “a evolução histórica da ciência está imensamente ligada à colocação do humano no centro do problema”.

Ao participar no II Encontro Nacional de Leigos, vai contribuir para um debate que considera “muito importante e muito atual”, porque o que falta fazer é deixar claro o que é “ser humano”.

O drama: saber o que é deixar claro o que “ser humano”

O tema está posto de maneira muito importante e muito atual: a recolocação do homem no centro das preocupações humanas. Vou falar deste tema a partir do meu ponto de vista, do encontro entre as ciências e as humanidades, de uma pessoa que se dedica a estudar a evolução histórica da ciência e como a evolução histórica da ciência está imensamente ligada à colocação do humano no centro do problema. O grande drama, a grande dificuldade, aquilo que ainda há hoje para fazer é deixar claro o que é ser humano, o que é viver humanamente. Vou contribuir para esta questão a partir do meu ponto de vista, que é muito estreito. Tenho muito interesse em ouvir, porque o tema é muito bem escolhido e é muito atual.

O humano traz consigo tensões

O humano é questionável, é problemático. Mas, por outro lado, traz consigo reclamações, questões, tensões que são muito objetivas, reais. É a partir delas que se estrutura o que é ser humano. Não são ilusões. O desejo de felicidade que temos, que é mais ao menos irreprimível, o desejo de alegria, de justiça, não são ilusões culturais, invenções ou ficções com que vivemos. São expressões de factos humanos muitíssimo profundos que importa conhecer e perceber para onde apontam e o que é que temos de fazer com eles.

Henrique Leitão, Prémio Pessoa 2014