Mensagem do Presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família sobre o 2º Encontro Nacional de Leigos: A pastoral da Igreja em Portugal precisa de maior participação dos leigos

antonino diasA Conferência Nacional do Apostolado dos Leigos (CNAL) está a organizar o II Encontro Nacional de Leigos. Acontecerá no dia 24 de janeiro corrente, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto. “Recolocar o homem no centro da sociedade, do pensamento e da vida” é o tema geral. De facto, nestes tempos “da cultura do descartável”, esta temática torna-se um verdadeiro desafio antropológico e também um verdadeiro desafio nas urgências do mundo, isto é, na vida e na ecologia humana e do planeta, na família humana, na comunidade política, no desenvolvimento económico e social, no progresso cultural e na paz internacional.

O Papa Francisco tem-nos dito que é importante “regressar à centralidade do homem, a uma visão mais ética das atividades e relações humanas, sem medo de perder alguma coisa”. E mais nos recorda: “Está a acontecer com o homem o que acontece com o vinho quando se torna aguardente, passa por um alambique organizativo. Já não é vinho, é outra coisa mais útil talvez, mais qualificada. O homem passa por este alambique e acaba por perder a humanidade e torna-se um instrumento do sistema, do sistema social, económico, do sistema onde os desequilíbrios dominam”.

Colocar o homem no centro da sociedade e descobrir o seu lugar na dinâmica da sociedade, da reflexão e da ação, gerará um clima de inclusão social com todas as consequências positivas que daí advirão. O homem, ser relacional e com um potencial enorme para se desenvolver e realizar de forma participativa e solidária na construção do bem comum, não pode perder a sua humanidade, não pode perder a sua identidade nem esquecer a sua origem e missão. Há que remar contra a maré: não se podem colocar os ídolos do poder, do lucro e do dinheiro acima do valor da pessoa humana, nem isso pode ser a norma fundamental de funcionamento e critério decisivo de organização social. Francisco, com estas e outras palavras, não se cansa de alertar para esta situação que causa sofrimento, injustiça, desequilíbrios e mal-estar.

A Comissão Episcopal do Laicado e Família, alegra-se com mais esta iniciativa da CNAL, estimula os seus responsáveis e dá força ao seu convite para que se possa envolver o maior número possível de leigos nesta iniciativa de nível nacional. Ouvir, refletir, intervir e concluir, enriquece e dinamiza. E a pastoral da Igreja em Portugal precisa de mais envolvimento e de maior participação dos leigos, precisa que eles sejam verdadeiros “protagonistas e artífices da renovação da Igreja” e não se julguem apenas destinatários da solicitude pastoral. Como referia o Santo João Paulo II, as “novas situações, tanto eclesiais como sociais, económicas, políticas e culturais, reclamam hoje, com uma força muito particular, a ação dos fiéis leigos. Se o desinteresse foi sempre inaceitável, o tempo presente torna-o ainda mais culpável. Não é lícito a ninguém ficar inativo” (ChFL 3).

Antonino Eugénio Fernandes Dias
Presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família