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A PESSOA COMO VALOR ABSOLUTO NA BÍBLIA (3/4)

MENDONÇA, J. Tolentino, A pessoa como Valor Absoluto na Bíblia
in «Communio», Ano XIV, 1997, n.º 1

III. Da Pobreza à Experiência da Solidariedade 
 
O vocabulário que o Antigo Testamento utiliza para situar a realidade da pobreza abrange matizes diversificados. Temos tanto uma descrição sociológica (rãs / dal) como uma definição que parte mais do interior e que não exclui mesmo a dimensão emocional (anaw = "o homem rebaixado", "o aflito").

Em todo o caso, porém, a pobreza nunca é referida como uma fatalidade da vida social à qual nos temos de conformar ou como um aspeto periférico aos interesses da religião. A condição do pobre é, antes, um desafio colocado à comunidade dos irmãos e ao próprio Deus.

Job, o crente que renuncia ao consolo das teologias retributivas, porque pressente que a fé só se realiza na abertura ao mistério lato da transcendência, parte da pobreza para interrogar (as imagens de) Deus.

"... Os pobres da terra escondem-se todos (...). Andam nus por falta de roupa, famintos carregam os feixes (...). Ensopados pelas chuvas das montanhas, sem abrigo comprimem-se contra o rochedo (...). E Deus não ouve a sua súplica." (Job 24,4-12)

A "resposta" que saciará o coração de Job é também a de que Deus atende o lamento dos pobres (Job 34,28).

De facto, Deus revela ao longo da história um particular cuidado com os pobres, identificando o culto que lhe agrada com um programa concreto de solidariedade: "Não consiste (o jejum que escolhi) em repartires o teu pão com o faminto, em recolheres em tua casa os pobres desabrigados, em vestires aquele que vês nu?" (Is 57,7)

A legislação para os anos jubilares coloca igualmente no centro das preocupações da comunidade a erradicação da pobreza, quer apelando a uma efetiva partilha (Dt 15,11: "Abre a tua mão em favor... do teu pobre"), quer estabelecendo a revisão da justiça, no intuito de refazer o equilíbrio e a equidade social. O ideal sabático incluía a superação das marcas de injustiça que a aplicação da justiça, entre os homens, sempre comporta. E o instrumento renovador proposto era o perdão (das dívidas, dos direitos patrimoniais e de trabalho sobre outrem, etc.) (cf. Dt 15).

Se perguntarmos ainda pelo significado da justiça social nos profetas, a conclusão é na mesma linha: "Consideração pelos direitos humanos de todos os homens, especialmente pelos direitos e necessidades dos membros mais débeis da sociedade."

Portanto, perante a relativização da vida que a realidade da pobreza constitui, a resposta da tradição bíblica é unânime no clamor pela sua resolução.