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O PAPEL DOS LEIGOS NO MUNDO (1/2)

CLIFFORD, Catherine E. e GAILLARDETZ, Richard R., As Chaves do Concílio
Prior Velho, Paulinas: 2012, capítulo onze, 154-162

Antecedentes

Já abordámos, em capítulos anteriores, a antiga prioridade do Batismo cristão sobre todas as outras distinções subsequentes a nível do Corpo de Cristo. As exigências do Batismo impeliram os cristãos a aplicar a sua fé e os seus valores à sua vida quotidiana. Com o aparecimento da cristandade medieval, tal imperativo ficou um pouco enfraquecido, pois a maioria assumia que o mundo em que vivia já tinha sido cristianizado. No século XIX, a consciência social da Igreja voltou a despertar, refletindo-se nas encíclicas papais que desenvolveram a doutrina social católica da época. Contudo, essa tradição refletia uma abordagem mais dedutiva da doutrina moral católica, em que o magistério passava de princípios morais universais a juízos concretos, com muito pouca consideração pelos contextos particulares de tais juízos. A única missão dos leigos era simplesmente alinhar os seus atos e atitudes com esses juízos.

No início do século XX, surgiram vários movimentos inter-relacionados, que procuraram promover um papel mais construtivo para os leigos na missão da Igreja. Já falámos da Ação Católica, mas devemos analisar os contributos de um sacerdote belga, Joseph Cardijn, que ajudou a fundar o movimento dos Jovens Operários Cristãos (JOC). Este movimento punha em destaque o local de trabalho como o cenário próprio para os cristãos realizarem a sua vocação batismal, infundindo valores evangélicos no mundo. Uma caraterística deste movimento era um processo de reflexão comunitária em três passos: ver, julgar, agir. Os seus membros eram animados a estar atentos ao contexto social, económico e político da sua vida (ver), a avaliar esses contextos à luz da sua fé cristã (julgar) e a desenvolver um plano de ação com base nessa análise (agir). Iniciado na Bélgica, o movimento recebeu o apoio oficial do papa Pio XI, em 1925. Os contributos de Cardijn – que viria a ser feito cardeal em 1965 – acabaram por influenciar o Concílio. A sua metodologia seria utilizada por outros movimentos católicos, como o movimento da Família Cristã. Com a abertura do Concílio, a influência destes movimentos laicais práticos, acompanhados pelas teologias do laicado que estavam a ser desenvolvidas por teólogos de renome, como Yves Congar e Marie-Dominique Chenu, garantiu que a assembleia conciliar colocasse os leigos na linha da frente das suas deliberações.