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O LUGAR E A MISSÃO DOS LEIGOS NA IGREJA DE HOJE (2/2)

PINHO, José Eduardo Borges de, O lugar e a missão dos leigos na Igreja de hoje
in «A Acção Católica do presente e do futuro»
Intervenções de D. António Ribeiro, D. José Policarpo, António de Sousa Franco e José Borges de Pinho
Lisboa 1985, 27-47

3. Missão dos leigos hoje

3.1. A credibilidade do Evangelho
3.2. O testemunho cristão face ao «silêncio» de Deus
3.3. A dimensão missionária da Igreja
3.4. A humanização que brota do Evangelho
3.5. Uma maior corresponsabilidade eclesial
3.6. O fomento de formas comunitárias de vida e de ação

Apresentadas estas linhas de força de uma teologia do laicado e tendo posto em relevo que tudo assenta na vocação cristã e sua radicalidade, vou agora sublinhar, apenas em tópicos, um ou outro aspeto que poderá ser determinante para a fidelidade a esta vocação na Igreja e no mundo de hoje. Trata-se de desafios, exigências e apelos que dizem respeito a todos os membros da Igreja, mas aos quais certamente os leigos terão de dar uma resposta própria e absolutamente indispensável, a partir da riqueza da sua situação e dos seus carismas.

3.1. A credibilidade do Evangelho

As circunstâncias em que vivemos nesta parcela do espaço ocidental são também, e não obstante alguns sinais em contrário, as de uma crescente secularização. Não importa aqui analisar as diversas causas deste processo, as indicações e exigências positivas que contém, as ambiguidades e riscos que engloba, a ameaça ao humano que representa a pretensão ideológica de conceber o homem e construir o mundo fechados em dimensões puramente seculares. Interessa-me apenas sublinhar um facto, em si óbvio, mas nem sempre devidamente tido em conta pela consciência cristã: no nosso mundo, o anúncio do Evangelho (pela palavra e pela ação) está sujeito a outros pressupostos, e um deles é a exigência elementar de que esse anúncio ocorra sob a marca da credibilidade.

Nesta perspetiva, é claro que o decisivo passa pela coerência de vida dos cristãos. O que está em causa é a capacidade de os cristãos deixarem transparecer no seu quotidiano aparentemente irrelevante o que significa viver segundo critérios do Evangelho e a qualidade humana que daí decorre. A transformação do mundo sob a proposta do Evangelho cada vez está mais dependente de existências crentes anónimas que testifiquem no seu próprio viver a validade humana dessa mesma proposta.

Daqui — desta exigência de credibilidade pela coerência de vida — emerge a pergunta basilar pela força de sinal do Evangelho que têm ou não as nossas vidas, as nossas instituições, a nossa presença de Igreja nesta sociedade. E isto representa concretamente a imperiosa necessidade de os crentes, em processo de auto-crítica e de conversão, interrogarem os parâmetros em que a sua existência se move. Assim, por exemplo, ganha uma acuidade decisiva verificar se os cristãos se distinguem ou não pela sensibilidade a valores humanos fundamentais como, por exemplo, a honestidade, o amor à verdade, o respeito pelo outro, o sentido de justiça, a solidariedade, a fidelidade à palavra dada. E na mesma ordem de ideias, mas duma forma ainda mais profunda, torna-se indispensável que os cristãos analisem se os critérios que norteiam o seu viver são realmente marcados pela novidade do Evangelho ou se, antes e apenas, se limitam a reproduzir os critérios vigentes na sociedade.

Dito isto, creio ser visível como, neste âmbito, cabem aos cristãos leigos um conjunto de tarefas. A tarefa de examinarem o seu próprio testemunho de vida, de estarem particularmente sensíveis à exigência de credibilidade, de traduzirem esta exigência em termos de renovação eclesial, a tarefa, sobretudo, de serem — por graça de Deus — corajosamente fiéis aos riscos da coerência de vida.