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O ACONTECIMENTO JESUS CRISTO (6/6) 

LOURENÇO, João, O Acontecimento Jesus Cristo
in «Communio», Ano XIX, 2002, n.º 2, 107-121

Conclusão

Ao colocar a questão dos sentidos da Escritura, tema este que foi caro à exegese e à hermenêutica em épocas não distantes da nossa, estamos a correr o risco de reduzir o âmbito e a abrangência de uma questão como a que estamos tratando acerca da compreensão dos mistérios da vida de Jesus. Mais do que os sentidos da Escritura creio que hoje o problema se centra no que diz respeito aos modelos e aos géneros literários de que os autores sagrados se serviram para nos transmitirem os acontecimentos que, ao mesmo tempo, eram já objeto da fé de uma comunidade. Para além dos próprios acontecimentos em si, os instrumentos e recursos literários usados condicionam muitas vezes o âmbito semântico das re-presentações elaboradas e das fórmulas vinculativas da fé professada.

Ao procurar analisar os mistérios da vida de Jesus não é possível fazê-lo sem termos em conta o uso e os métodos interpretativos que eram aplicados à Escritura no tempo de Jesus e que os autores do Novo Testamento vão utilizar na redação dos textos que chegaram até nós e nos testemunham a fé da comunidade acerca da vida do seu Senhor. Não será possível dissociar estas duas componentes do mesmo problema: o recurso à Escritura e a experiência vivencial dos discípulos. Desta experiência chegaram até nós diferentes compreensões que, traduzidas na mesma fé, nos mostram a pluralidade desses mistérios da vida do Senhor, acreditados e lidos de acordo com chaves hermenêuticas que colhem o seu fundamento no Antigo Testamento. É a partir do Antigo Testamento que a vida do Mestre ganha sentido, mas é também a partir da vida de Jesus que a Escritura assume a sua plena significação. Olhar a Escritura em busca de sentidos para a vida do Senhor tem também o seu reverso: fazer da vida de Jesus uma chave hermenêutica para a compreensão da Escritura. É por causa desta reversibilidade de significação que podemos afirmar que o acontecimento Jesus Cristo é afinal o centro e a verdadeira chave de leitura de toda a Escritura, pois é a partir d'Ele que toda a história da salvação alcança a sua plenitude.

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