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A FÉ EM MARIA- EXPERIÊNCIA DE DEUS E PLENITUDE HUMANA (7/7)

MESSIAS, Teresa, A fé em Maria: experiência de Deus e plenitude humana,
in «Santíssima Trindade, Adoro-Vos Profundamente. Ciclo de Conferências 2010-2011»
Santuário de Fátima, Fátima, junho de 2012, 45-68

6. O tema da cooperação de Maria na obra da redenção: vínculo eclesiológico


Maria é apresentada em vários dos documentos da Igreja Católica como cooperadora na missão de Cristo redentor em virtude da sua maternidade divina, do seu seguimento como discípula de Cristo e da sua íntima participação na paixão do Senhor . Na compreensão católica do mistério de Cristo a Senhora, por desígnio de Deus Pai, coopera e colabora com o Redentor.

Este aspeto tem criado algumas dificuldades no diálogo ecuménico sobretudo quando a cooperação mariana é entendida como se ela fosse equiparada à obra de Cristo porque se compreende a função de cooperação maternal de Maria como se ela retirasse ou diminuísse, de algum modo, o único poder mediador de Cristo. De facto não retira . Este aspeto foi, aliás, sublinhado no passado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II:

"O nosso mediador é só um, segundo a palavra do Apóstolo: «não há senão um Deus e um mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou a Si mesmo para redenção de todos (1 Tim. 2, 5-6). Mas a função maternal de Maria em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia.

Com efeito, todo o influxo salvador da Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer necessidade; deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia; de modo nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece."(LG 60)

Porque Maria coopera com Cristo e participa da Sua mediação única torna-se também a nossa intercessora, com amplitude universal e sem interrupção na história . Quando ela está, quando ela intervém, dá-nos a possibilidade de uma relação redobrada, renovada, com Cristo e com o Pai.

A nova maternidade de Maria, recebida aos pés da Cruz, une-a de modo particular à Igreja, a cada um de nós, dando-lhe o poder de partilhar connosco a vida e os dons recebidos de Deus. Cito a este respeito a encíclica Redemptoris Mater. "A maternidade de Maria, profundamente impregnada da atitude esponsal de 'serva do Senhor', constitui a dimensão primária e fundamental daquela sua mediação que a Igreja Lhe reconhece, proclama e continuamente 'recomenda ao amor dos fiéis' porque confia muito nela. Com efeito, importa reconhecer que, primeiro do que quaisquer outros, o próprio Deus, o Pai eterno, se confiou à Virgem de Nazaré, dando-lhe o próprio Filho no mistério da Incarnação".

Que quer o Papa João Paulo II dizer com estas palavras? Entendo-as como querendo dizer que é o próprio Pai que confia a Maria este poder mediador de partilhar a vida do Filho. É o próprio Pai que faz de Maria uma particular mediadora e auxílio na nossa vida de fé, na nossa vida cristã, na nossa identificação com Cristo.

Gostava de terminar chamando a atenção para o partilhado por nós. O que é outro modo de dizer que existe um vínculo entre a missão de Maria e a da Igreja presente em cada um de nós.

Maria, como Cristo, não tem outro desígnio senão dar-nos a participar aquilo que ela própria viveu. No vínculo entre Maria e a Igreja, entre a Sua missão de cooperadora e o mistério da Igreja (cf. RM 41) cada membro do corpo de Cristo aprende a ver em Maria a figura daquilo que ele ou ela será chamado a viver.

E neste sentido não há mulher mais pobre que ela: ela dá-se a si e a toda a sua pessoa. Não há nenhuma razão para pensarmos que os privilégios de Maria nos deixam numa posição de inferioridade. Muito pelo contrário. Os privilégios de Maria são sempre e todos em função de nós, da nossa proximidade com Cristo. Existem em função da aproximação da salvação de Cristo e o maior número possível de pessoas. E Fátima é lugar, justamente, onde Maria mostra essa preocupação maternal com o mundo. E o local onde Maria vem não em função de si mas para que o amor de Deus seja mais expandido, mais recebido, acolhido, mais capaz de gerar vida.

Gostaria de terminar propondo a cada um de nós a possibilidade (a decisão) de se entregar de maneira mais renovada à intercessão de Maria e ao seu amor. Que olhando para esta mulher de fé que partilha tanto connosco (o Filho, o Pai, as provas da vida, as alegrias) lhe possamos confiar as nossas necessidades, as nossas alegrias, a nossa pessoa, com tudo o que é e o que tem, com todas as suas carências e aquilo que não tem e que não sabe. Porque aquilo que nós entregamos a Maria — como a Igreja sabe e a experiência da Páscoa demonstra — nunca fica nas mãos de Maria. Maria nunca retém para si aquilo que lhe é entregue. Não há ninguém tão transparente que, ao receber aquilo que é nosso, não vá imediatamente depô-lo no coração de Cristo e no coração de Deus. Entregar a nossa vida a Maria é fazer uso da sua experiência profunda de Deus e da sua profunda realização humana. Mas é mais: é certamente ter a certeza de que, através dela, iremos encontrar uma outra experiência de Deus em nós. No abismo da sua fé provada e glorificada, experiência de Deus e plenitude humana, encontraremos o Mistério da Trindade onde o Deus se dá a participar para fazer algo novo.

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