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FORÇA E FRAQUEZA DOS MOVIMENTOS NA IGREJA (1/2)

PINHO, José Eduardo Borges de, Força e fraqueza dos movimentos na Igreja
in «Communio» 8 (1991), 46-55

Está fora de questão que os movimentos e associações representam uma realidade positiva, indispensável até, na vida da Igreja. E é já um lugar comum dizer-se que um dos traços mais significativos da renovação pós-conciliar tem a ver também com o surgimento ou a expansão de alguns desses movimentos. A realidade concreta que neles se manifesta não deixa, porém, de apresentar igualmente ambiguidades, interrogações e riscos. Nesta reflexão em jeito de síntese, pretende-se apenas – inevitavelmente sob o risco de uma certa generalização – apurar a consciência do valor que os movimentos constituem, mas também ajudar a discernir criticamente mentalidades e atitudes que podem contradizer aspetos importantes da identidade cristã e da vida em Igreja.

I. A validade permanente dos movimentos

1. A incarnação atualizadora do Evangelho
2. Pluralidade e riqueza de vocações e testemunhos
3. A importância da experiência comunitária da fé
4. A dimensão pública e missionária da fé

A força dos movimentos e, no fundo, a sua indispensabilidade na vida da Igreja reside no facto de que eles – na diversidade dos seus carismas, espiritualidades, métodos de formação ou objetivos imediatos – procuram concretizar dimensões essenciais da experiência cristã e da identidade e missão eclesiais. Destaco aqui de modo particular quatro grandes vertentes.

1. A incarnação atualizadora do Evangelho

O Evangelho só pode tornar-se referência fundamental e sempre viva para a existência cristã através de uma contínua releitura e de um esforço de incarnação atualizadora nas circunstâncias históricas. Trata-se, afinal, de ir tendo uma perceção mais aguda e concretizadora das exigências fundamentais do Evangelho e dos apelos prioritários que dele decorrem face aos desafios de cada momento e lugar. A existência cristã individual e comunitária vive, assim, da força do Espírito que permite essa perceção e a torna realidade vivida.

A erupção dos movimentos na Igreja lembra, antes de mais, esse dinamismo incarnacional que faz parte da existência cristã na busca de fidelidade ao Evangelho. Eles surgem como expressões de resposta à interpelação da Palavra de Deus no hoje da história como modalidades eclesiais de acesso ao mistério de Cristo, como caminhos de renovada compreensão e vivência do acontecimento cristão face aos desafios culturais, como instrumentos em ordem a uma mais pessoal e profunda adesão ao dom da fé . As instituições, prioridades e tarefas que decorrem do «carisma fundacional» - ou «carisma originário» - de um movimento aparecem assim – e aí está precisamente o seu autêntico sentido cristão e a sua validade renovadora eclesial – como impulsos do Espírito a uma releitura mais fiel do Evangelho e a uma realização mais coerente das suas exigências na vida concreta.