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FÉ E COMPROMISSO NO MUNDO (1/5)

PINHO, J. E Borges de, Fé e compromisso no mundo
in «Communio», 11 (1995), 437-451

Introdução

Num texto que merece ser meditado sempre de novo o Concílio Vaticano II, na Gaudium et spes, exorta "os cristãos, cidadãos de ambas as cidades, a que procurem cumprir fielmente os seus deveres terrenos, guiados pelo espírito do Evangelho", e sublinha, ao mesmo tempo, que se afastam da verdade "os que, sabendo que não temos aqui na terra uma cidade permanente, mas que vamos em demanda da futura, pensam que podem por isso descuidar os seus deveres terrenos, sem atenderem a que a própria fé ainda os obriga mais a cumpri-los segundo a vocação própria de cada um". E depois de denunciar também como um dos "mais graves erros do nosso tempo" o facto de muitos cristãos estabelecerem um divórcio entre a fé que professam e o comportamento quotidiano, o Concílio conclui: "Não se oponham, pois, infundadamente, as atividades profissionais e sociais, por um lado, e a vida religiosa, por outro. O cristão que descuida os seus deveres temporais, falta aos seus deveres para com o próximo e até para com o próprio Deus, e põe em risco a sua salvação eterna." (43) Trata-se de uma advertência que permanece eminentemente atual, e isto não obstante o facto de, desde há umas boas décadas a esta parte, os cristãos terem vindo a ser insistentemente convidados e interpelados — pelo magistério social da Igreja, pelo despertar de movimentos laicais, pelas vicissitudes de um processo de secularização que questiona o situar-se crente no mundo — a repensarem e a renovarem a responsabilidade que dimana da fé para o seu agir nas diversas tarefas do mundo.

Nas notas que se seguem começo por referir, em breve síntese, a relação necessária que existe entre vivência da fé e compromisso cristão no mundo. Num segundo momento saliento algumas perspetivas fundamentais que decorrem da fé para a transformação humana do mundo. Num terceiro ponto, e tendo em conta as contradições à vivência da fé e seu sentido que emergem na experiência quotidiana, reflito sobre as interpelações que coloca ao viver crente esta "opacidade" do mundo. Concluo com uma referência à solidariedade com o mundo como traço indeclinável da existência cristã.