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EU CREIO (1/6)

PEDROSO s.j., Dário


1. Creio no Amor da Trindade

A Trindade é Família divina, é amor pleno entre as três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, é vida em total e íntima comunhão. O Pai ama o Filho com amor eterno e pleno, o Filho ama o Pai e retribui esse amor eterno, sem reservas. O Espírito é o amor que gera a comunhão entre o Pai e o Filho, o Pai e o Verbo, ou seja, entre as duas primeiras Pessoas da Trindade.

O amor exige alteridade. O Pai para ser Pai tem que ter um Filho, gerado não criado, a Quem ama e a Quem Se dê em plenitude de amor. A primeira Pessoa, para amar, tem que ter uma segunda, uma outra Pessoa, o seu Verbo eterno. O Pai dá-Se e o Filho acolhe esse amor, esse dom, acolhe o Pai e retribui o amor que o Pai é e que o Pai Lhe tem. Mas quando o Filho, em loucura apaixonada de amor divino, Se dá ao Pai, o Pai O acolhe e O ama, ou, como se diz no Evangelho, faz d’Ele o seu enlevo e proclama: “Este é o meu Filho muito amado”. Comungam ambos no mesmo gesto, na mesma atitude, na mesma dádiva de amor. Para que este dom e acolhimento mútuos possam ser possíveis, Deus não podia ser uma só Pessoa, pois amava-Se a Si mesmo e era o monstro do egoísmo. Amar implica, sempre, ter outro ou outra a quem se ama. Por isso se afirma que o amor reclama, exige a alteridade, um outro a quem possa amar, para não ficar fechado em si mesmo, num círculo vertiginoso de egoísmo máximo.

Acreditar na Trindade, na Santíssima Trindade, não pode ser entendido como aceitar um dogma ininteligível, distante, algo que nos ultrapassa e que está muito longe de nós. Acreditar na Trindade é acreditar no Amor que o Pai, o Filho e o Espírito têm por cada um de nós. É acreditar que esse amor é relação vital e doadora de toda a graça e de todos os dons. É acreditar que cada Pessoa tem connosco uma relação amiga, amorosa, que nos estimula ao diálogo e à vivência com cada Pessoa. Somos filhos de Deus Pai, a primeira Pessoa, somos irmãos de Deus Filho, a segunda Pessoa, o Verbo que encarnou e Se faz homem no seio da Virgem Maria, somos templos vivos do Espírito, a terceira Pessoa. Com cada uma queremos ter uma relação de amor, de diálogo orante, de intimidade cada vez mais intensa.

E Santíssima Trindade está no santuário do nosso coração, do nosso ser. Não devemos só contemplá-la nas maravilhas da criação, ou nos mistérios da ação amorosa redentora, mas dentro de nós próprios. “Se o Céu é onde está Deus, eu tenho o Céu dentro de mim”, afirmava a Beata Isabel da Trindade. E já no início do cristianismo, quase nos primeiros grandes escritos teológicos, Santo Ireneu afirmou: “Somos o Céu a caminho, em demanda do Céu”. Templos, santuário, sacrário vivo das Pessoas trinitárias, significa que Elas estão em nós e nos habitam. A fé na Trindade implica também esta adesão, este mergulho interior para encontrar em nós as Pessoas divinas.

A Trindade Santa é, como amor infinito, ato criador contínuo de tudo o que existe. É ação de dom, de graça, de conversão, de santidade, de beleza, de amor, de encanto apaixonado, de vida divina em nós, homens e mulheres criados à sua imagem e semelhança. Mas, por outro lado, a Santíssima Trindade é o amor infinito para o qual caminhamos, que nos espera para nos saciar da sua presença, da sua comunhão trinitária, onde a beleza e a festa nunca mais terão fim. Caminhamos para a Trindade, para esse gozo divino inefável, levando em nós, dentro de nós, no santuário do nosso ser a própria Trindade. A morte é como que um despir-se de um corpo corruptível para entrar no gozo infinito e inefável da plenitude da vida trinitária.

Crer no amor da Trindade é acreditar até às raízes mais profundas do nosso ser que somos amados por Ela, que Ela caminha connosco e em nós, que a eternidade é o gozo pleno da sua presença. Entretanto, não nos cansemos de A louvar e de desejá-La como tesouro suave do amor que nos espera e nos quer cumular da sua própria vida divina.