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ENCRUZILHADA: CRISTIANISMO E CULTURA ATUAL (1/6)

DUQUE, João, Cultura Contemporânea e Cristianismo
UC Editora, Lisboa 2004, 113-135

Introdução

A problemática da cultura atual, em era de globalização, é mais vasta do que pode fazer crer uma concentração nas raízes da cultura europeia ou portuguesa. Por isso, o desafio lançado ao cristianismo é, também, o desafio da globalização e de elementos que a respetiva «cultura» veicula. Impõe-se, assim, uma abordagem, ainda que sumária, de alguns desses elementos.

Em verdade, contudo, invoca-se com isso um programa irrealizável, dada a complexidade das situações e das formas de vida dos nossos contemporâneos. É preciso, por isso, selecionar algumas temáticas ou aspetos mais prementes, para que se possa dizer algo com o mínimo de pertinência. Mas o leque de hipóteses é vastíssimo. Poderíamos centrar-nos, por exemplo, no polémico relacionamento entre a dita «cultura global» e as «culturas regionais»; ou então, entre a «cultura científica» e a «cultura humanista»; ou ainda entre a «cultura erudita» e a «cultura popular»; ou, por outro lado ainda, na chamada crise de valores culturais da dita «era do vazio».

Sem que nenhum desses aspetos deixe de ser importante para o que se dirá a seguir, centrar-me-ei em algo que considero mais fulcral ainda, no momento da história que atravessamos, embora talvez menos trabalhado e refletido que os temas referidos. Por isso mesmo, o que se segue mais não é do que um conjunto de ideias mais ou menos soltas sobre alguns aspetos da cultura contemporânea, analisados de forma algo radical e talvez negativista, precisamente no sentido de nos convidar a sobre eles refletir. Deixarei de lado elementos eventualmente bem mais positivos da cultura atual, por considerar que já são sobejamente sublinhados no quotidiano.

Ou seja, a minha leitura será propositada e assumidamente crítica, reconhecendo que toda a crítica peca por uma certa unilateralidade. Para evitar mal-entendidos, também não pretendo, com a crítica que se segue, culpabilizar determinados setores da sociedade, muito menos as pessoas que aí trabalham. Trata-se, antes, de uma crítica da nossa cultura, enquanto tal. Se alguém é culpado de problemas graves que ela comporta, seremos todos nós e não apenas alguns, em particular.

Na minha opção de análise crítica da nossa atual forma de vida, centrar-me-ei no complexo mundo da televisão (maioritária) e no campo dito multimediático, como sintoma mais evidente da forma como vivemos e a que poderíamos chamar, de forma algo vaga, cultura «pós-moderna». Embora assumidamente de forma algo radical, esses mass media serão analisados pela maneira como determinam a nossa visão do mundo – não propriamente em relação às suas possibilidades técnicas ou mesmo em relação a algumas possibilidades humanas que englobam. Como alternativa a essa forma determinante, irei fazer a apologia daquilo a que gostaria de chamar «cultura táctil» e «cultura do silêncio», cujo significado mais adiante se tornará claro.

Ora, o absolutismo mediático a que assistimos na atualidade é, em realidade, a apoteose da chamada «sociedade do consumo», cujas raízes e manifestações são mais antigas e mais vastas. Por isso, é imperioso começar por refletir sobre os mecanismos dessa sociedade de consumo.