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    © Mário Linhares
“ELE PROIBIU-LHES FORMALMENTE DE O DIZEREM”: CALAR COMO JESUS
Ir. Marta Heleno, aci
Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?»

Responderam-lhe: «João Batista; outros, Elias; outros, um dos antigos profetas ressuscitado.»

Disse-lhes Ele: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a palavra e respondeu: «O Messias de Deus.»

Ele proibiu-lhes formalmente de o dizerem fosse a quem fosse; e acrescentou: «O Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, tem de ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.»

Depois, dirigindo-se a todos, disse: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me.

Pois, quem quiser salvar a sua vida há de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa há de salvá-la.» [Lc 9,18-24] 

O Evangelho deste domingo gira em torno à IDENTIDADE de Jesus: uma identidade que Jesus deseja aprofundar com aqueles que Lhe são mais próximos, para que não fique nas aparências, no que “os outros” dizem.

Trata-se de uma revelação progressiva: a pergunta sobre a identidade de Jesus, sobre o que os discípulos “dizem” dele, é ocasião para os fazer compreender também que têm de CALAR. Calar é esperar a revelação de um Deus que é sempre maior do que o que nós já conhecemos e sabemos dele: “se realmente O compreendes (= o abarcas totalmente), não é Deus”, lembra Santo Agostinho.

Com os anúncios da Paixão (este é o primeiro dos 3 anúncios do Evangelho de Lucas), Jesus quer romper os prejuízos que os discípulos tinham acerca do “Messias”, o enviado de Deus. Por isso é que os proíbe de falar. CALADOS, hão de tomar primeiro a sua cruz, dia após dia, para se abrirem ao verdadeiro Mistério de Deus.
  • Hoje, ponho-me diante de Jesus com humildade. Peço-Lhe a graça de estar com Ele para O conhecer melhor e O amar mais.
1. Revejo o meu anúncio do Senhor Jesus: Falo dele? A quem? Como? Quem é Ele para mim?

Há espaço, no meu anúncio, para o SILÊNCIO que me abre à novidade, ao mistério, à surpresa da Sua revelação? Há espaço para a dúvida e a incerteza que me levam a procurar com humildade? Ou tenho sempre resposta pronta para tudo o que me perguntam?

2. “O mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo encarnado” (Gaudim et Spes, 22). À imagem de Cristo, todos somos “mistério”, novidade, supresa. Nunca estamos totalmente desvelados.

Como olho para os que estão à minha volta (família, amigos, colegas de trabalho)? Quem digo que eles são? Há espaço, no que “sei” deles para a novidade de Deus?

3. CALAR, tomar a minha cruz, dia após dia, e segui-Lo: como se concretiza, hoje, na minha vida, esta afirmação?