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DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (2/2)

RODRIGUES, António dos Reis, A Dignidade da Pessoa Humana e os Seus Direitos
Pesquisa sobre os direitos fundamentais do homem, Princípia: 2008, 10-15.

Unidade e Santidade

Os homens, todavia, não são apenas irmãos uns dos outros. São muito mais do que irmãos. Quando Jesus, nas vésperas da sua paixão, rezava a oração sacerdotal, não pediu somente pelos seus Apóstolos, a quem confiou a Palavra que recebera do Pai e que eles haviam recebido, reconhecendo verdadeiramen¬te, como Ele próprio disse, dirigindo-se ao Pai, que «eu vim de Ti e acreditaram que Tu Me enviaste» . Pediu também por todos «aqueles que hão de acreditar em Mim», acrescentando: «para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti. [...] Eu dei-lhes a glória que Tu Me deste, de modo que sejam um, como nós somos Um. Eu neles e Tu em Mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade» . Estas estupendas palavras são a afirmação eloquente do grandio¬so mistério, não apenas de uns com os outros, mas de todos os que na sua vida aceitam, como riqueza sem paralelo, Jesus Cristo. Nós, os seus discípulos, não somos, como frequentemente se pensa, uma simples multidão dos que creem nas verdades que Ele nos ensinou. Formamos pelo contrário uma unidade incindível. Somos todos um só, para que cheguemos «à perfeição na caridade».

Por isso, «não existe nada, fora do homem, que, entrando nele, o possa tornar impuro» . A não ser o vício, especialmente o que se assenhoreia dele, nenhuma outra circunstância adversa lhe tira a dignidade de ser homem no pleno sentido da palavra. Basta prestar atenção aos seus momentos mais venturosos, que não deixam nunca de existir, e à voz interior do seu coração que teimosamente não cessa de se fazer ouvir. Deus, ao criar-nos, imprimiu em nós uma nobreza que jamais cessa de existir. Marcou-nos com o seu selo e somos da sua estirpe, para usarmos uma luminosa palavra de São Paulo falando no Areópago. A dignidade de ser homem vem-nos fundamentalmente de Deus, ao colocar «as arras do Espírito em nossos corações» , fazendo alusão ao Espírito Santo, que nos impele continuamente para a conversão a Deus. É esse mesmo Espírito que nos liberta para a Verdade e que nos permite o privilégio de sermos filhos de Deus, com o direito de Lhe darmos o doce nome de Pai: «Abba, Pai».

São Paulo abriu-nos neste ponto o sentido da universalidade da salvação. Já vimos que não há diferença entre homem e homem. Todos temos o mesmo Senhor, o nosso Pai que está no Céu. Donde, como pede a Epístola aos Hebreus, que, entre os homens, «permaneça a caridade fraterna» ou, noutro lugar, «atendamos uns aos outros para nos estimularmos na caridade e nas boas obras» . O grande Apóstolo Paulo, aliás, dissera coisa semelhante, em termos magníficos: «O Senhor vos faça crescer e superabundar na caridade uns para os outros e para com todos, tal como nós para convosco». E tão forte e surpreendente, ainda que raras almas de eleição o entendam, é a exigência que Jesus lhes faz, como Ele próprio disse: «Ouvistes o que já foi dito: "Amarás o teu próximo" e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está nos Céus, pois Ele faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os injustos».

O mesmo São Paulo acrescenta ao texto que acabámos de transcrever, quando solicita que a caridade entre os irmãos é em absoluto indispensável, acrescentando que «Deus confirma os vossos corações irrepreensíveis na santidade». E trata desenvolvidamente deste tema ao longo das suas Cartas.

A santidade é uma das palavras-chave que lhe devemos, como o devemos aos demais Apóstolos, que a ouviram do seu próprio Senhor. Só na santidade nos podemos aproximar, não apenas da intenção com que Deus nos criou, mas do modo com que Ele deseja que vivamos segundo o Evangelho que nos deu a conhecer. «Aproximai-vos de Deus», pede-nos o Apóstolo São Tiago, «e Ele Se aproximará de nós.»

A aproximação a Deus não é possível só com palavras nem com gestos piedosos. Vive-se com a aspiração, nunca satisfeita completamente, de respondermos à entrega que Jesus Cristo nos fez, a todos e a cada um, dando-Se a Si mesmo, sem reservar absolutamente nada para Si, nem nas palavras que disse, nem na Igreja que nos deixou, nem nos inumeráveis sofrimentos que ofereceu por nós, «dando um forte grito» . Que ainda agora ressoa dolorosamente no coração dos seus discípulos. E espera que, em troca, nós Lhe demos tudo o que pudermos, sem guardar nada para nós, a não ser o reconhecimento e a gratidão do amor que Lhe devemos. «Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reúne os seus pintainhos sob as asas, e tu não quiseste!»

A santidade torna-nos verdadeiramente seus amigos, cumprindo exemplarmente o que Ele nos pediu que fôssemos na vida que Deus criador sonhou para cada um de nós. E não demos ouvido aos mestres de Israel. «Os doutores da Lei e os fariseus instalaram-se na cátedra de Moisés. Fazei, pois, e observai tudo o que eles disseram, mas não imiteis as suas obras, pois eles dizem e não fazem. Atam fardos pesados e insuportáveis e colocam-nos aos ombros dos outros, mas eles não põem nem um dedo para os deslocar. Tudo o que fazem é com o fim de se tornarem notados pelos homens.» A santidade não tem nada a ver com isto.

A santidade, em suma, consiste no que novamente o Apóstolo fala nestas linhas: «Tratai de progredir cada vez mais» . Porque nada neste esforço jamais está acabado. Há sempre uma infinidade de pensamentos e de ações que, na obediência a Deus, cada um de nós pode pensar e cometer, a fim de que o Evangelho não seja para ninguém apenas um livro edificante, mas um permanente desafio. «Aproximai-vos de Deus, e Ele Se aproximará de vós.» Ou expresso de outro modo: a santidade consiste em dizermos, na alegria como na tristeza, a Jesus Cristo: «Sim, Ámen» . Uma vez que Ele veio e voltará a vir: «Vem, Senhor Jesus!».

É certo que ninguém sabe os caminhos de Deus. Mas «reparai nos lírios, como crescem! [...] Nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva [...], quanto mais a vós» .

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