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AS BEM-AVENTURANÇAS E A DIGNIDADE HUMANA (4/4)

BALTHAZAR, Hans Urs von, As bem aventuranças e a dignidade humana
in «Communio», Ano VII, 1990, nº5

III

O que é cristão manifesta o que é humano, tal como a graça manifesta a natureza – não a destruindo, antes, pelo contrário, levando-a à perfeição. Existe uma incessante circulação entre o Logos («universal»), no qual todas as coisas foram feitas e permanece sendo a luz e a vida dos homens, e o Logos crucificado, que pronuncia o escândalo das bem-aventuranças e as vive exemplarmente. Ambos, porém, são um só; e mais ainda: O mundo não poderia ter sido criado pelo Logos «universal», se a última garantia do seu êxito não residisse já, de antemão, na entrega do Filho de si mesmo à sua própria paixão. Mas a síntese da ordem da criação e da cruz só será atingida na ressurreição, pela graça e a força de Deus. Resta-nos, entretanto, como única possibilidade a dramática e contínua luta por essa síntese a conseguir.

Um olhar assim liberto, lançado às bem-aventuranças, pode-nos levar a fazer aproximações a tal síntese, sejam elas consideradas, diretamente, como palavras de Cristo ou, indiretamente, na sua benéfica atuação humana. Conservá-las na consciência do mundo é missão da Igreja de Jesus Cristo, a qual também aqui desempenha função imprescindível enquanto a sempre renovada presença do Cristo pobre, humilhado e perseguido.

É por isso que a ideia lançada por Joaquim de Fiore, na teologia medieval, de um terceiro Reino do Espírito Santo significa a destruição da dramática teológica da história. Mais do que qualquer outra, conseguiu esta ideia impor-se na história, desde os Espirituais, através do Renascimento, as sociedades secretas do Barroco, o Iluminismo, Lessing, os Idealistas, até chegarmos ao Marxismo e ao Drittes Reich, de mil anos, de Hitler. Será, todavia, na dramática teológica da história que teremos de participar, por necessidade. É ela que nos põe, continuamente, perante a decisão de entendermos a dignidade humana e seus direitos a partir da sua avaliação pelo próprio Deus, no Cristo pobre e sofredor, ou, pelo contrário, de a perdermos de vista em razão de uma qualquer utopia intramundana.

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