• 230x230 FC 0049230x230 FC 0050230x230 FC 0051
    © Filipe Condado
  • 230x230 PDS 0648230x230 PDS 0650230x230 PDS 0657
    © Pedro Duarte Silva
  • 230x230 CNE 0291230x230 CNE 0279230x230 CNE 0181
    © CNE
  • 230x230 PGS 0116230x230 PGS 0183230x230 PGS 0421
    © Pedro Grandão
  • 230x230 CNE 0173230x230 CNE 0225230x230 CNE 0150
    © CNE
  • 230x230 CNE 0104230x230 CNE 0288230x230 CNE 0302
    © CNE
  • 230x230 CNE 0126230x230 CNE 0212230x230 CNE 0208
    © CNE
AOS LEIGOS

João Paulo II
Homilia na Sé de Lisboa, 12 de maio de 1982

[…] Vós optastes por Cristo, na Igreja; opção feita de uma vez para sempre, com a aceitação do dom inestimável do Batismo, consciencializada no dia da Primeira Comunhão, ratificada com o sacramento da Confirmação e vivificada em seguida com toda a vida sacramental, cujo «centro e ápice é sempre a Eucaristia» (Const. Dogm. Lumen Gentium, n. 11).

E qual é a vossa vocação, responsabilidade e missão de leigos?

Vós bem o sabeis: o leigo está integrado no Povo de Deus, que caminha neste mundo rumo à Pátria celeste. Fostes conquistados e santificados por Cristo, que vos resgatou por alto preço: não foi com ouro ou prata, mas com o seu precioso sangue (cf. 1 Pdr. 1, 18). E fostes chamados à santidade, tendo por modelo o próprio Cristo, na sua doação integral ao Pai e aos irmãos: «como Aquele que vos chamou à santidade, sede também vós santos em todas as vossas ações» (1 Pdr. 1, 15). Mas olhai que a santidade, mais que uma conquista, é um dom que vos é concedido: o amor de Deus foi derramado em vossos corações pelo Espírito Santo que vos foi dado (cf. Rom. 5, 5).

Desde o início os cristãos reconheceram-se como os grandes beneficiados do Senhor. Reuniram-se para juntos agradecer, celebrando o dom por excelência – a Eucaristia – em assembleia. Esta reunião é tão importante que, aos poucos, os cristãos se denominam por ela: eles mesmos são igreja. E como símbolo deram também ao local da reunião o nome de igrejas. Fostes chamados por Deus para a vida em comunidade, em Igreja. E de novo, se trata de uma graça: foi o Senhor que vos reuniu em Igreja, que vos fez igreja, unidos a todo o Corpo eclesial espalhado pelo mundo inteiro.

O dom de Deus que vos foi dado, constitui o sinal de que sois amados por Ele. Assim, ser cristão não é, primeiramente, assumir uma infinidade de compromissos e obrigações, mas é deixar-se amar por Deus, como o próprio Cristo que é o amado e se sente o amado pelo Pai, conforme atestou com toda a sua vida e diz expressamente: «O Pai ama-me» (Jo. 10, 17).

A nossa profissão de fé começa com estas palavras: Creio em Deus Pai. Nelas se assume toda a atitude cristã: deixar-nos amar por Deus como Pai. Cada um de nós é amado por Deus e conhecido pelo próprio nome como filho. Eis porque é sempre possível dirigirmo-nos confiantes a Ele. Foi Cristo, como «irmão» mais velho, que no-lo ensinou.

Amados por Deus, pois certamente perguntais: o que é que nos compete fazer, na qualidade de leigos? O cristão nunca pode limitar-se a uma atitude meramente passiva, de puro receber. A cada um é dado um «dom» diferente, de acordo com a efusão do Espírito, mas para o proveito comum.

Daqui, da própria natureza de batizados, deriva a exigência do apostolado na Igreja, a qual é sacramento constituído por Cristo para atingir todos os homens, e para isso é continuamente vivificada pelo Espírito Santo.

A vossa missão de leigos, portanto, fundamentalmente é a santificação do mundo, pela vossa santificação pessoal, ao serviço da restauração do mundo. O Concílio Vaticano Segundo, que tanto se debruçou sobre os leigos e o seu papel na Igreja, assentou bem a sua índole secular. É o cristão que vive no mundo, responsável pela edificação cristã da ordem temporal, nos seus diversos campos: na política, na cultura, nas artes, na indústria, no comércio, na agricultura…

A Igreja há de estar presente em todos os setores da atividade humana e nada do que é humano lhe pode permanecer alheio. E sois vós, principalmente, prezados leigos, que a deveis tornar presente. Quando se acusasse a Igreja de estar ausente de algum setor, ou de despreocupar-se de algum problema humano, equivaleria lastimar a ausência de leigos esclarecidos ou a não atuação de cristãos naquele determinado setor da vida humana. Por isso dirijo-vos um apelo caloroso: não deixeis a Igreja ficar ausente de nenhum ambiente da vida da vossa querida Nação. Tudo deve ser permeado pelo fermento do Evangelho de Cristo e iluminado pela sua luz. É vossa tarefa fazê-lo.

Ao apostolado leigo individual, feito de atividades pessoais e, sobretudo, de testemunho cristão devem juntar-se as formas associadas de apostolado em que os leigos se unem para realizar juntos certos objetivos. Longe de se excluírem, as duas formas completam-se. Nenhuma forma associada de apostolado é eficaz sem um testemunho pessoal de cada membro. Por outro lado, diante das exigências hodiernas que superam de longe as capacidades individuais, requer-se um esforço conjugado para levar a mensagem evangélica ao coração da civilização.

Existem muitos movimentos e formas de organização do apostolado leigo; todos são importantes e úteis quando imbuídos de um verdadeiro espírito eclesial e cristão de serviço. Cada qual tem os seus objetivos, com métodos próprios no seu setor e no seu meio; mas é imprescindível ter consciência da complementaridade e estabelecer laços de estima entre eles, em que assente o diálogo, uma certa conjugação de esforços e mesmo uma real colaboração. Pertencemos a uma mesma Igreja. Cabe-nos estimular-nos mutuamente no bem. Todos devemos trabalhar juntos pela mesma causa. Cristo é um só. Mesmo sendo muitos os ministérios e as atividades todos concorremos para um mesmo objetivo: que Cristo seja anunciado, que os homens encontrem a salvação, que o bem comum seja servido e, enfim, Deus em tudo seja glorificado.

 pdf