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A FÉ CRISTÃ - INTRODUÇÃO AOS SÍMBOLOS DOS APÓSTOLOS (5/5)

LUBAC, Henri, A Fé Cristã, Pequena Introdução ao Símbolo dos Apóstolos
in «Communio», Ano X, 1993, nº4
 
Simplicidade da Fé

IV

Para terminar, retomemos o nosso Símbolo Apostólico. Ele forma um todo. Apresenta-se "não como uma linha, mas como um círculo; as proposições que enuncia articulam-se umas sobre as outras, e a última reintegra no interior da primeira tudo o que está entre as duas: através da Sua ação criadora, prosseguida por Jesus na redenção e pelo Espírito na santificação, o Pai reconduz ao Seu próprio seio aqueles que em Jesus e no Espírito Ele quer fazer Seus filhos para a vida eterna" (Card. Garrone). Pode-se sempre prolongar uma linha; um círculo, esse, está sempre completo. O espaço que determina é algo de definitivo. Nada se lhe poderia associar sem o romper, sem lhe deformar a figura. Ora, é esse o nosso símbolo. Essa impossibilidade de romper o círculo "não é sinal de limitação mas de plenitude. Só se progride verdadeiramente na compreensão do Credo pelo seu aprofundamento e explicitação, não pela sua adição". Tal como não devemos esperar no futuro um novo Cristo ou um terceiro 'Testamento", também não temos — pela mesma razão — nada a juntar ao símbolo da fé. Fora de si, não deixa nenhum mistério por descobrir. Não devemos ceder nada às miragens de progresso por excesso, as quais afastaram tantos espíritos, nos séculos passados, e provocaram tantos dramas. Se damos a nossa fé a Jesus Cristo, não demos ouvidos aos que nos convidam, numa linguagem equívoca, a "viver o casamento do Espírito e da história humana que se iniciou com a Incarnação". Tornemos, antes, a ler as páginas admiráveis de S. João da Cruz, do Livro II da Subida ao Carmelo: "Ao dar-nos o seu Filho que é a sua única Palavra, Deus disse-nos tudo e revelou-nos tudo."

Mas essa Palavra única, na qual tudo se consumou, o Espírito não deixa de a fazer frutificar. Não lhe assegura apenas a presença indefetível: fecunda-a, atualiza-a. Sob a sua ação, o dogma desenvolve-se, explicita as suas virtualidades, faz elevar a matéria humana. Alimenta-se da cultura ambiente, transformando-a ao assimilá-la. Tarefa a ser permanentemente retomada: nunca, com efeito, a simbiose que tem por missão estabelecer entre o divino e o humano está adquirida; e porque está confiada aos homens, que não se chocam só com forças adversas mas não estão eles próprios nunca plenamente submetidos ao Espírito, ela só se pode realizar por tentativas, tensões e crises de toda a espécie, que se repercutem tanto no desenrolar social da história como no fundo das consciências individuais. Até nos maiores sucessos, ela corre sempre o risco de se comprometer, para responder aos mil problemas e satisfazer as mil solicitações que, em cada geração, não deixam de se renovar, num "processo de diferenciação" que a afasta do seu centro. Para dar mais e inéditos frutos, a fé arrisca, assim, a diluir-se. Intervém, então, suscitado também ele pelo Espírito, o movimento compensatório que reconduz sempre ao centro e tende a refazer ou a reencontrar a unidade na simplicidade do olhar contemplativo. É o aprofundamento do mistério. É a passagem da palavra ativa e múltipla ao recolhimento unificado do silêncio. A inteligência explorara todas as dimensões da fé, precisara os seus contornos, aprofundara os seus pressupostos, manifestara as suas consequências, extraíra normas de ação para novas situações; agora é a fé que penetra a alma e, quanto mais a penetra, mais, ao simplificá-la, se simplifica a si mesma. Nesse sentido, podemos dizer com St. Ambrósio: "O sinal de Deus está na simplicidade da fé ."

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