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A FÉ CRISTÃ - INTRODUÇÃO AOS SÍMBOLOS DOS APÓSTOLOS (1/5)

LUBAC, Henri, A Fé Cristã, Pequena Introdução ao Símbolo dos Apóstolos
in «Communio», Ano X, 1993, nº4

Símbolo dos Apóstolos

O símbolo de fé mais difundido, ainda hoje, na Igreja latina é o "Símbolo dos Apóstolos". É assim designado, sabe-se, não por que tenha sido composto pelos próprios Apóstolos (apesar de certas lendas), mas porque exprime realmente, de forma condensada, a fé que eles receberam por missão propagar. O seu atual teor, à parte algumas ligeiras variantes, remonta ao início do sec. V; contudo, no essencial, estava já constituído bem mais cedo. As suas origens são complexas. Digamos, em resumo, que é o antigo símbolo de fé da Igreja de Roma, redigido em intenção aos candidatos ao batismo. Primitivamente é, portanto, uma fórmula litúrgica cujo equivalente se encontrava nas diversas Igrejas, tanto do Oriente como do Ocidente. Temos, há muito tempo, o costume de o dividir em doze artigos: divisão cómoda do ponto de vista pedagógico, e que oferece a vantagem de lembrar os Doze Apóstolos do Senhor. Não deve, no entanto, esconder-nos uma divisão mais simples e mais fundamental, a única que exprime a sua estrutura e permite unificar o seu conteúdo.

A estrutura do nosso símbolo é ternária pois a sua substância é trinitária. A fé do cristão é fé no único Deus em três Pessoas. Recordemos o final do evangelho de S. Mateus: "Ide, pois, ensinai todas as nações, batizando-as no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." "Recebemos o batismo, dirá St. Ireneu no sec. II — e outras cem fórmulas análogas poderiam ser aqui citadas —, em nome de Deus Pai, e em nome de Jesus Cristo o Filho de Deus, incarnado, morto e ressuscitado, e no Espírito Santo de Deus." São estes os "três principais artigos do nosso batismo"; é esta a "base do edifício e o fundamento da nossa salvação". O cristão faz, na realidade, o que Abraão, diz St. Ambrósio, fez em imagem "quando viu três pessoas e adorou um ser único".

Não se pode tudo dizer ao mesmo tempo. Se tivermos em conta o que foi dito atrás, talvez algum leitor imagine que o objeto da fé cristã consiste numa espécie de metafísica dita revelada, num teorema sagrado, numa especulação sobre a divindade una e trina, sem relação com o que somos e com aquilo em que nos tornaremos. Ora, basta ler o nosso símbolo para verificar que não é nada disso. É ao agir em nosso favor, e ao chamar-nos para Si, que Deus, que nos fez para Si, se deu a conhecer, e a nossa fé é resposta ao Seu apelo: (Fecisti nos ad te, Deus — credimus in te). Já para Israel, a inexplicável maravilha não consistia em qualquer caráter interno da divindade, da qual este povo teria sido o único a ter conhecimento: consistia em que o Ser absolutamente livre e soberano decidiu comunicar-se-lhe, abrir-lhe acesso ao domínio da Sua santidade; graça que era ao mesmo tempo exigência inaudita, "arrebatando a criatura da sua própria instalação no país da servidão e fazendo-a passar a um 'país' que é o de Deus". É esta a revelação que tem o seu cumprimento e atinge o seu apogeu em Jesus Cristo. Se todo o ato revelador é, enfim, uma revelação da Trindade, toda a revelação da Trindade é uma revelação em ato, e todo esse ato tem relação direta com o homem.

A estrutura do nosso Credo reflete o desdobramento desse ato que se realiza, podemos dizê-lo, em três tempos, por três séries de operações diversas mas ligadas entre si, em que cada uma é atribuída a uma das três Pessoas — embora saibamos desde sempre que nunca nenhuma das três opera separadamente das outras duas. Assim, ao Pai pertencem as obras da criação; ao Filho, as obras da redenção; ao Espírito Santo, as obras da santificação. É este o quadro, traçado de uma vez por todas, que não pode ser transformado nem excedido. É esta a ordem que preside ao desdobramento do único Mistério. Sem querer destruir o quadro, alguns pretenderiam hoje alterar-lhe a ordem. Propõem a sua inversão: não conviria antes, dizem, começar pela terceira parte, que trata das obras do Espírito? Seria tomar apoio sobre a realidade presente, tal como se manifesta na vida das comunidades; o Espírito conduzir-nos-ia ao Filho, que nos introduziria junto do Pai. O maior inconveniente de tal projeto é que "o Espírito" de que se fala correria grandemente o risco de não ser já o Espírito de Cristo, mas apenas o do homem, aberto a todas as seduções do mundo, em mil e uma formas sucessivas, exposto a perpétua ameaça do imanentismo religioso, individual ou coletivo: a história adverte-nos suficientemente que esses perigos não são quiméricos. Outros pretenderiam que se começasse pelas obras do Filho: com efeito, não é Jesus que nos faz elevar para o Pai e, para isso, nos envia o seu Espírito? E as primeiras de todas as confissões de fé não eram cristológicas? Estas duas considerações têm a sua força. Pode-se, contudo, observar que as fórmulas trinitárias, mencionando o Pai em primeiro lugar, são igualmente antigas, pois encontramos várias delas nos escritos do NT, e foram as que prevaleceram em todas as Igrejas, quer para as profissões de fé batismal quer para os símbolos mais desenvolvidos. Semelhante processo tem em seu favor a lógica interna, pois tem origem n'Aquele que reconhecemos como Fons divinitatis e autor da criação. A situação atual, por fim, dissuadir-nos-ia de começar pelo Filho, pelo menos na ordem da exposição, que é normalmente a da profissão de fé: não vemos nós, aqui e ali, procurarem-se alianças enganosas estabelecidas em nome de Jesus Cristo, concebido como o iniciador de um reino do homem emancipado do Pai — e, por consequência, ele próprio em breve ultrapassado pelo Espírito?