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A FÉ CRISTÃ - INTRODUÇÃO AOS SÍMBOLOS DOS APÓSTOLOS (2/5)

LUBAC, Henri, A Fé Cristã, Pequena Introdução ao Símbolo dos Apóstolos
«Communio», Ano X, 1993, nº4
 
Economia e Teologia

I

Tomemos, então, tal como é, o nosso símbolo. Podemos caraterizar o seu conteúdo usando a palavra paulina, frequentemente retomada pelos Padres da Igreja: "Economia" (oikonomia, dispensatio). Aquilo a que chamamos hoje correntemente "teologia" compreende duas partes, que foram outrora designadas pelas duas palavras Economia e Teologia: a primeira é a única, para falar propriamente, que faz o objeto do símbolo de fé, que não disserta sobre a própria Trindade em si, mas expõe o seu Ato ao mesmo tempo revelador e salvífico. "Bem-aventurada Economia! Inacessível Economia!"

Só que distinguir não é separar. Uma vez mais, é necessário que não paremos a meio caminho. A "Economia" não é a "Teologia", mas introduz-nos aí. A passagem de uma à outra não apenas é legítima como se impõe. A primeira implica a segunda. Por outras palavras, a doutrina de Deus não pode de forma alguma ser reduzida a uma doutrina da salvação que, neste caso, se tornaria ilusória. "Se a Incarnação, dizia S. Cirilo de Jerusalém, fosse pura imaginação, também a salvação seria imaginação pura." Alguns dos nossos contemporâneos quiseram traduzir a ideia de revelação "económica" para a de revelação totalmente "funcional". Para isso, fundaram-se em diversos textos de Lutero, nomeadamente na célebre passagem: "Jesus Cristo tem duas naturezas: que me importa isso? Se ele traz esse magnífico e consolador nome de Cristo, é devido à missão que tomou sobre si, etc." Sem extraírem desta cristologia luterana um antropocentrismo absoluto — como o fez um Feuerbach —, Ritschl e Harnack justificaram-lhe o seu cristianismo sem dogmas, e é ainda ela que outros invocam de bom grado em favor de uma teologia dita "existencial", totalmente subjetiva. Não examinaremos aqui em que medida este recorrer a Lutero é ou não legítimo. Em todo o caso, nada é mais contrário ao movimento primitivo da fé. Há uma homogeneidade necessária entre o "Deus para nós" (Economia) e o "Deus para Si mesmo" (Teologia) e, como recentemente escrevia Hans Urs von Balthasar, se é verdade que "uma doutrina da Trindade em si não pode justificar-se biblicamente senão como pano de fundo da doutrina da Incarnação", não é menos verdade ser esse pano de fundo "indispensável" por misterioso que se mantenha. Sem ele, todo o símbolo da fé é esvaziado do seu sentido.