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Este é o tempo para esperar contra toda a esperança, para trabalhar pela justiça e pela paz, para amar as pessoas, para amá-las uma a uma

Viseu
19 de outubro a 18 de novembro 2017

Samuel Úria

Nascido no decote da nação, entre o Caramulo e a Estrela, Úria leva para os palcos o blues do Delta do Dão. De lenda rural para lenda urbana, tudo está certo: meio homem meio gospel, mãos de fado e pés de roque enrole.

Com uma proveniência marcada pelo punk, pelo rock’n’roll e pela estética low-fi, Samuel Úriatem ganho notoriedade desde 2008, altura em que, entre edições caseiras e concertos em que apenas se acompanhava pela guitarra acústica, se nos deu a conhecer. Singular na língua materna, singular nas melodias e singular na relação com o público, aos poucos se gerou o culto e assomou a expectativa, consagrando Samuel Úria como o mais interessante cantautor do século XXI português.

E eis que já passou uma década desde “O Caminho Ferroviário Estreito”, o primeiro registo oficial (ou deveremos dizer o primeiro CD-R?) de Samuel Úria, à data disponibilizado pela emergente FlorCaveira mas que só a edição do EP “Em Bruto” (ou deveremos dizer EP-R?), em 2008, revelou ao grande público. Se em “O Caminho Ferroviário Estreito”, o nomadismo de Samuel Úria, consequência da sua actividade itinerante de professor de educação visual se fazia sentir, já em “Em Bruto“ despontavam canções como “Barbarella e Barba Rala” ou “Teimoso”.

“Nem Lhe Tocava” surgiu em 2009, uma vez mais com a FlorCaveira, recuperando algumas das gravações de “Em Bruto” e confirmando as expectativas fundadamente criadas em torno das primeiras gravações de Samuel Úria – Jacinto Lucas Pires escrevia ”(…) este “Nem Lhe Tocava” (que título do caraças, meu) é objecto perigoso, perigosíssimo. E, para os convencionais, só um recado: ouçam sem preconceitos, sem pressas, com a calma possível, no meio do mundo, e depois vejam que tal. Em verdade vos digo, Samuel Úria é tão bom que devia ser proibido.(…)”

O caminho confirmava-se – a Time Out Lisboa chamou-lhe “a mais impressionante estreia dos últimos 10 anos”, o Ípsilon afirmou que o “abençoado” Samuel “acerta sempre”, o Expresso reconheceu a “língua em estado de graça” e a Blitz viu no músico de Tondela o “tiro certeiro na fuga à normalidade”.

Ainda nesse ano, a 10 de Junho, escreveu e gravou, num só dia, um disco inteiro em sua casa. A composição e registo das músicas foi filmada e transmitida em directo pela internet, enquanto os espectadores forneciam sugestões via email. O resultado foi o disco “A Descondecoração de Samuel Úria”, lançado um ano depois (clarifique-se, em CD-R).

Por entre as suas apresentações ao vivo e edições, Samuel Úria teve ainda oportunidade de colaborar em alguns projectos colectivos, traduzida numa forte presença na dinamização na actividade da FlorCaveira ou, ainda, na participação no punk-rock vintage das “Velhas Glórias” ou nas filarmonias de “Os Ninivitas”. Suspeita-se também que o projecto “Maria Clementina” não lhe será alheio…

Inicialmente anunciado para 2012, Samuel Úria publicou em 2013 “O Grande Medo do Pequeno Mundo”, uma verdadeira “jewel-case” (leia-se “caixa de jóias”) em que o talento do “trovador de patilhas”, como é frequentemente intitulado, convive com um conjunto de participações de nomes aparentemente tão distantes como Manel Cruz, Márcia, António Zambujo ou Miguel Araújo, entre outros, que a música e as palavras de Samuel Úria aproximaram.

Sobre, “O Grande Medo do Pequeno Mundo”, Pedro Mexia inicia o texto de apresentação do álbum desta forma “Este é um disco sobre «a voz». Não sobre Frank «thevoice» Sinatra, embora o galante mafioso também compareça, transformado em forma verbal; trata-se antes de uma defesa do falar, do dizer, do cantar. A música é um «som cantado», lembra Samuel Úria, mas é mais que isso: é um testemunho.” E conclui “No amor, como noutras vozes que nos dão voz, o sustento é forte quando o intento é puro. E o mundo é pequeno, e o medo é grande, e, ainda assim seguramo-los, como um colchão aos trapezistas”. E não será este o destino de Samuel Úria? Testemunhar através da sua voz a vida, tal e qual um trapezista das palavras?

O caminho, só aparentemente estreito, é percorrido e “O Grande Medo do Pequeno Mundo” leva Samuel Úria à generalidade dos palcos nacionais, seja aos dos pequenos auditórios ou dos grandes festivais. As colaborações em palco sucedem-se – Márcia, António Zambujo, Miguel Araújo, Clã, Cindy Kat, HMB, Tiago Bettencourt ou Marta Hugon são alguns do que fazem questão de partilhar com Samuel.

Para 2016, “Carga de Ombro”. Um disco de que é ainda difícil destacar temas tal é a homogeneidade conseguida num disco em si bastante diversificado – “O álbum é um absoluto primor de escrita, juntando depois à música uma capacidade de condensar uma evidente pulsão melómana atenta e feita da soma de muitos gostos e interesses num corpo consistente.” (Nuno Galopim)

Para a nova aventura Samuel Úria chamou Miguel Ferreira. Com ele produziu “Carga de Ombro” e no qual contou com participações especiais de Selma Uamusse, Francisca Cortesão, Martim e David Fonseca.

Como conclui Márcia no texto que escreveu a propósito do novo disco: “Modesto, generoso e altruísta, é claro que ele acha que o Ego dele tem de diminuir. Mas nós que o vemos, sabemos que não é de Ego que se agigantou Samuel Úria, mas sim de um incomensurável talento que dá gosto testemunhar de disco para disco.”

No final de 2016, as habituais listas de “melhores do ano”, colocaram “Carga de Ombro” nos lugares cimeiros do que melhor e mais interessante se vai produzindo. As crónicas que passa a assinar às quartas para o SAPO tornam-se leitura obrigatória. Já em 2017, o vídeo de animação para o tema “É Preciso Que Eu Diminua” realizado por Pedro Serrazina ganha o prémio da Monstra. Da “estrada”, de destacar a produção apresentada em Maio passado no Teatro Tivoli em que, perante uma sala lotada, Samuel levou a palco amigos como Ana Moura, Manuela Azevedo, Golden Slumbers ou Manel Cruz.

Escutemo-lo!

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